de 1 de Junho a 23 de Junho

 

Portanto quando apareço como uma espécie de figura Xamânica, ou faço alusão a isso, eu faço-o para evidenciar a minha convicção noutras prioridades e na necessidade de criar um plano completamente diferente para trabalhar com a matéria. Por exemplo, em lugares como Universidades, onde todos têm um discurso racional, é necessário que apareça uma espécie de mago.

Joseph Beuys

 

         A magia foi a primeira metodologia criada pelo Homem que pretendia transformar a realidade. Antes de surgir cultura ou história aparece esta raiz primitiva, ainda no plano mitológico, chamada Xamanismo. Apesar de não ter uma grande expressão na sociedade contemporânea ocidental, esse impulso totipotente inicial diferenciou-se na sociedade de hoje em ciência, arte, tecnologia, política, religião… Essa especialização retirou muito poder a cada pessoa e por isso hoje são poucos os que vivem para uma comunidade de forma verdadeiramente altruísta. Há quem ainda assim consiga ver magia em todas as formas de conhecimento e em todos os momentos: é entre esses altruístas maravilhados com o mundo que  encontramos os que querem acima de tudo saber como é que podem criar, ou guardar, cada instante. O Roberto Barbosa era um desses homens: um criador e arquivador de momentos.

         O Roberto escolheu a fotografia (captar a luz no papel) e o ensino (fazer nascer a luz no outro) como as suas formas de transformar a realidade. Sendo assim, tanto uma como outra podiam acontecer numa escola como o Ar.Co. ou o IADE, mas também aconteciam durante uma ida ao mercado, uma refeição, uma conversa, um livro, um filme, um encontro ou em qualquer outra troca. Essa atitude gerou um espólio fotográfico imenso e uma comunidade afectiva infinita.

         A transcendência precede o encontro entre o Roberto Barbosa e o mundo. Consciente do que significava essa dinâmica criadora do eu (da consciência) e de todas as coisas do universo, o fotógrafo/professor encontrou na película a sensibilidade que também encontrava em todos os seus alunos (“os Totós e as Marias”) disseminando neles as imagens criadoras de imagens.

         Explorou até ao limite com mestria todos os formatos analógicos e digitais à medida que tinha acesso a cada um. Nesta exposição escolhemos mostrar apenas uma fracção infinitesimal do seu arquivo em slide. É sabido que tinha tanto prazer em fotografá-los e a revelá-los como a explicar os detalhes técnicos da película positiva. Era para ele um frame de um filme que nos levava a analisar de acordo com princípio do prazer em todas as suas formas, mas com uma metodologia que permitia o acesso a todas as dimensões ocultas (sexuais e psicanalíticas) e misteriosas – o desconhecido cuja expressão última para ele seria sempre “a mulher”.

         Como disse Francisco Teixeira da Mota, “o Roberto era um mago”. Transformou positivamente quase todos os que se cruzaram com ele, com as suas imagens e com a sua forma de olhar, ver, rever e partilhar. Em Junho fará 10 anos que o Roberto “foi descansar”.

 

Manuel Furtado, Maio de 2017


 

         Biografia:

         Roberto Barbosa (4 de Março de 1953 – 4 de Junho de 2007) foi um português nascido em Cabo Verde, na Ilha do Fogo, que fez o Bacharelato em Design de Equipamento na ESBAL (Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa); licenciou-se pelo IADE e fez também o Curso de Fotografia no Ar.Co. Foi responsável pelo Departamento de fotografia da Partex-Cps, empresa da Fundação Calouste Gulbenkian, entre 1980 e 1999.

       Foi professor de Fotografia no Ar.Co desde 1975 e professor e regente das disciplinas de Fotografia e Fotografia Aplicada do Curso Superior de Design, no IADE, ESD (Escola Superior de Design), desde 1988. Nessa mesma Universidade leccionou a disciplina de Multimédia, na Escola Superior de Marketing e Publicidade. Foi responsável pelo Departamento de Audiovisuais na ESD desde 1992. Leccionou noutros cursos tais como: Fotografia Aplicada à Arquitectura na Faculdade de Arquitectura de Lisboa, Cursos de Fotografia para o Instituto Nacional de Habitação e num curso de Fotografia para o programa Escolhas.

      Realizou trabalhos de Fotografia para numerosas entidades, tais como: Moda Lisboa, BES, CUF, EDP, Lactogal, Festival dos Oceanos (2001, 2002), Expo’ 92, Governo de Macau- Candidatura a Património Mundial pela UNESCO, Kodak Portuguesa, PORTUCEL, entre outras.

Expôs em inúmeras exposições: Exposição colectiva Ar.Co- 25 anos (1998); Exposição individual na Casa das Artes em Tavira, Ao Sul (2000); Exposição colectiva na Galeria Verney (2002); Exposição individual MMS, na Galeria Municipal Lagar do Azeite em Oeiras e no Museu das Telecomunicações em Lisboa (2005-2006); 7650 Mobile Phone Images, na EUAC (Escola Universitária das Artes de Coimbra) (2009); Roberto Barbosa – Um Olhar de Fogo, na sede do IADE (2009); Macao: Bridging Time, Bruxelas (2012)

         Foi publicada parte da sua obra em dois livros: Roberto Barbosa – Um Olhar de fogo (2009) [selecção de fotografias – Carlos Costa, biografia – Jorge Pinheiro], e MACAU – Turista Ocidental (2012) [texto de Jorge Pinheiro,  selecção de fotografias – Carlos Costa] catálogo da exposição Macao: Bridging Time em Bruxelas.

 

 

Nota importante: As imagens expostas não têm qualquer manipulação digital tentando reproduzir o mais fielmente possível o slide original.

 


Ficha Técnica

 

Curadoria:
Manuel Furtado

Assistente de curadoria:
Leonor de Vilhena

Selecção de fotografias:
Manuel Furtado
Filipa Reis
Zica Viana
 António Furtado dos Santos

 

 

Slideshow

 

Digitalização e edição de Fotografia:
Leonor de Vilhena

Edição de Som:
Leonor de Vilhena

Edição de Vídeo:
Leonor de Vilhena
Manuel Furtado

Selecção de fotografias:
Leonor de Vilhena
Manuel Furtado
Zica Viana
António Furtado dos Santos